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Carro-destaque do mês

Vou destacar, mensalmente, um veículo que tenha tido seu momento de glória em alguma etapa da Ford. E, para inaugurar esta coluna, trago, com muito orgulho, o Carro do Século XX, um automóvel barato, resistente e revolucionário - o Ford Modelo T.

Fabricado de 1908 a 1927, o T foi o vigésimo projeto da companhia, vendeu cerca de 15 milhões de unidades e colocou o mundo sobre rodas, já que fez sucesso além das fronteiras dos Estados Unidos, interligando pessoas de todas as classes sociais.

O Modelo T ou Tin Lizzie (empregado de lata) era um carro multifacetado com mil e uma utilidades na época - removedor de gelo, trator, carro de passeio, caminhão, pickup, carro de corrida etc. Um automóvel multiuso, uma espécie de Jeep para a época, já que ia a lugares instransponíveis. A distância deixava de ser obstáculo, pois havia um novo conceito de liberdade e independência à disposição do homem.

Se o automóvel foi elemento e enzima do desenvolvimento de todos os meios de transporte, como o ônibus e o avião, o T foi o nascedouro disto.

O Modelo T teve 10.660 unidades fabricadas em seu primeiro ano de existência - 1908, cinco milhões em 1921 (no auge de sua produção) e 15.484.791 em maio de 1927, quando saiu de produção nos Estados Unidos.

Com seus 3,40m de comprimento, 540 quilos e 2,54m entreeixos, o Ford Modelo T, desenhado por Childe Harold Wills (primeiro engenheiro-chefe da companhia) e dois imigrantes húngaros, Joseph Galamb e Eugene Farkas, tinha as seguintes características:

  Câmbio - manual de duas marchas, além da marcha a ré; a alavanca de câmbio fica na barra de direção - dois "bigodes": o da direita era o acelerador e o da esquerda, o avanço da ignição; havia três pedais no assoalho do carro - o da direita era o freio, o do meio, a marcha a ré, e o da esquerda acionava as duas marchas; o volante do lado esquerdo era uma inovação na época; partida - por magneto, uma pequena caixa instalada no painel, que produzia corrente alternada de baixa voltagem para as velas, sendo, então, necessário, virar a manivela na frente do carro para o motor pegar; a partida elétrica no Modelo T viria apenas em 1919; apesar da modesta potência - 20 cv -, não faltava agilidade ao Modelo T, mesmo só com duas marchas à frente; por mais que hoje essa configuração pareça inusitada, Henry Ford tinha um bom argumento para adotá-la: dizia ele que a caixa planetária permitia ao motorista parar, sair, mudar de marcha ou dirigir em ré sem tirar as mãos do volante

Tanque de combustível - ficava sob o banco dianteiro e dispensava bomba de gasolina, usando-se apenas a gravidade; seu nível era medido por uma bóia quadra com uma hélice de torção, enquanto a água de arrefecimento era movimentada pelo princípio do termosifão, embora alguns carros iniciais tenham usado bomba d'água; a tração era transmitida às rodas traseiras

Faróis - acesos a carbureto, e as lamparinas funcionavam com querosene e pavio;não havia lanternas; no máximo, um porta-velas, como nas antigas carruagens; grade - hexagonal de base retangular era confeccionada em latão

 

Motor - Longitudinal, 4 cilindros em linha, comando no bloco, duas válvulas por cilindro, cilindrada de 2.896 cm³, 20 cv de potência a 1.600 rpm, velocidade máxima de 55 km/h, carburador de corpo simples; motor refrigerado a água era atípico por ter os quatro cilindros em linha num bloco só, quando o usual na época era a disposição individual para cada um deles; o combustível escondia um dos mais curiosos e escondidos talentos do Ford T: foi o primeiro carro flex do mundo, funcionando tanto com gasolina quanto com etanol

Suspensão - tinha eixos rígidos  e molas semi-elípticas na frente e atrás; rodas - de 30 polegadas, raiadas em madeira; nos pneus dianteiros - 3 X 30 polegadas, e nos traseiros, 3,5 X 30 polegadas

 Portas - só eram oferecidas quando havia banco traseiro (caso da versão Touring Car de cinco lugares); no lado esquerdo, em cima do estribo, além do pneu sobressalente havia uma espécie de gerador, que armazenava o gás acetileno que alimentava os faróis; freios - um sistema de cintas banhadas a óleo dentro do câmbio cumpria a função de freios, travando um tambor localizado dentro do câmbio; os dois tambores das rodas traseiras é que recebiam a ação do freio do estacionamento por expansão; como se percebe, os freios eram apenas nas rodas traseiras, pois os engenheiros da época acreditavam que, se o mecanismo ficasse também nas rodas dianteiras, o carro capotaria

 

Chassi - os modestos 540 kg de peso do carro eram resultado de um esforço dos projetistas da Ford, que buscavam associar leveza à resistência no projeto; ainda era corriqueiro encontrar partes de madeira na estrutura dos carros da época; no novo Ford o chassi era construído apenas em aço e liga de vanádio, que Henry havia descoberto ainda para modelos anteriores; a publicidade da época afirmava ser esse material 50% mais rígido que o aço de outros carros - estava nos eixos, molas, engrenagens; as carrocerias eram de madeira

 Na versão de passeio de 1913, o T Speedster, havia apenas um para-brisa frontal (do lado do motorista) - réplica em escala 1:18

Repare nos detalhes: caixa de ferramentas, galão de combustível e três pequenos galões (água, óleo e gasolina)