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Carros de competição

Imagine um carro que venceu a Ferrari por quatro anos consecutivos nas pistas de Le Mans, na França. Ou um outro que bateu o recorde da milha terrestre no início do Século XX. Ou ainda os campeões de rallies, de Fórmula 1 e da Nascar.

Pois é. Esses veículos existiram e fazem parte, em miniatura, da minha coleção. E o que é melhor: são todos da Ford.

 

 

Quando se fala da história do automobilismo mundial logo pensamos em Le Mans, uma pista legendária, que glorificou pilotos e máquinas através dos anos. A prova de longa duração mais famosa do mundo, com sua largada característica, foi palco de vários duelos entre bólidos da velocidade, destacando-se entre eles um carro que se tornou sinônimo de vitória: o Ford GT 40.

No início da década de 60, a Ferrari dominava o cenário automobilístico e reinava soberana nas pistas européias. A Ford tinha como um de seus objetivos, a idéia de fabricar um concorrente à altura da rival italiana. Para transformar esse projeto em realidade, a empresa convocou um time de projetistas e pilotos para desenvolver o novo carro, entre eles o mítico Carrol Shelby.

Após dois anos de pesquisa e trabalho duro, em 1964 foi criado o GT 40, quatro letras que iriam mudar para sempre a história do automobilismo mundial. O bólido ficava a 40 polegadas do chão, por isso a escolha técnica do numeral. O motor escolhido foi um V8 de 4,7 litros, que desenvolvia 390 cavalos de pura potência. Câmbio de cinco marchas e freios da marca Girling fechavam o pacote.

O nome GT 40 deve-se à altura do teto do carro ao solo - 40 polegadas (cerca de um metro).

A estréia do GT 40 nas pistas ocorreu nos 1.000 Quilômetros de Nürburgring, mas um problema na suspensão tirou o carro da prova. No mesmo ano, em sua primeira participação nas 24 Horas de Le Mans, o bólido também não conseguiu terminar a corrida, devido à quebra do câmbio italiano em dois carros e um incêndio no terceiro.

Mas a glória viria a partir de 1966 e duraria até 1969, com quatro vitórias consecutivas na pista de Le Mans, o que faz do FORD GT 40 o Eterno Rei das Pistas.

Ford GT 40 1966 (escala 1:43)

 

Este carro de Fórmula 1 vai ficar guardado para sempre na memória de todos os brasileiros: o McLaren MP4/8 Ford, equipado com motor Ford e com o qual o inesquecível Ayrton Senna conseguiu sua última vitória na Fórmula 1 - a 41ª de sua carreira. Isso ocorreu no dia 7 de novembro de 1993, no Grande Prêmio da Austrália, em que liderou de ponta a ponta. Naquela temporada, o tricampeão Senna (1988, 1990 e 1991) terminaria com o vice-campeonato, com 73 pontos. Já no mundial de construtores do mesmo ano, a McLaren/Ford também ficou em segundo lugar, com 84 pontos. Senna terminou sua carreira na Fórmula 1 com 41 vitórias, 80 pódios, 65 pole positions e 19 voltas mais rápidas. Esta réplica é em escala 1:43.

 

Antes de ingressar na Fórmula 1, Ayrton Senna foi campeão europeu de Fórmula Ford com este carro da equipe Van Diemen, de Ralph Firman. Naquele ano, obteve 12 vitórias, cinco segundos lugares, três poles e 10 melhores voltas. Em 1982, sagrou-se bicampeão com o mesmo carro, desta vez da equipe Rushen Green Racing. Esta réplica é em escala 1:60.

Este é o Saudia Williams-Ford FW 08 C 1983 (este modelo em escala 1:43), o carro em que Ayrton Senna fez seu primeiro teste na Fórmula 1, um ano antes de estrear oficialmente na categoria, em 1984. A convite do dono da escuderia, Frank Williams, Senna, em 1983, só não foi contratado pelo empresário porque este já havia firmado contrato com os dois pilotos para aquela temporada, Keke Rosberg e Jacques Laffitte. Em 1983, Ayrton impressionou a equipe Williams, ao superar facilmente, nas pistas inglesas, os tempos dos dois pilotos titulares. Na temporada 83 de Fórmula 1, o campeão foi Nelson Piquet; Rosberg ficou em 5º lugar, mesma colocação da equipe Williams-Ford (que terminou com 36 pontos); naquela temporada o motor Ford Cosworth foi utilizado em nove das 20 equipes participantes do campeonato - Williams, McLaren, Tyrrell, Arrows, Lotus, Theodore, Osella, Ligier e RAM-March. 

Uma das três maiores equipes da Fórmula 1 atual deu a virada para se tornar grande, no final dos anos 70, graças ao dinheiro da família do terrorista mais procurado do mundo. A Williams, entre as temporadas de 1978 e 1983, foi buscar na Arábia Saudita a grana necessária para se manter viva numa categoria que experimentava uma espiral crescente de custos. E encontrou. Fechou contratos com várias empresas árabes, dentre elas o grupo Bin Laden, fundado pelo pai de Osama Bin Laden, e a Albilad, companhia que tem entre seus principais negócios uma rede de hotéis de luxo com participação acionária da família. O nome "Bin Laden" nem sempre apareceu na carenagem dos carros de Frank Williams. Em 1979 isso aconteceu discretamente em algumas corridas,como no GP dos EUA, em Watkins Glen. O logotipo azul e branco do Albilad, por sua vez, tinha espaço privilegiado, diante do cockpit, no alto, e também nas laterais. O vínculo da Williams com a Arábia Saudita era tão forte que, na época, até o nome oficial da equipe foi mudado. O time era inscrito no Mundial como "Albilad Saudia Williams Racing", e posteriormente apenas como "Albilad Williams". A Saudia era a principal companhia aérea do país.

 

 O tricampeão de Fórmula 1 Nélson Piquet também correu com carro equipado com motor Ford. Foi na equipe Benneton Ford, em 1991, temporada que terminou em sexto lugar, com apenas uma vitória. Com este carro, Piquet obteve sua última vitória na F-1, no Grande Prêmio do Canadá. Ele foi companheiro de equipe de ninguém menos do que Michael Schumacher, que pilotou seu primeiro carro nesta categoria automobilística.

 

No final dos anos 20 e início dos 30, os Ford T e A, e posteriormente o Deuce destacaram-se em corridas com motores envenenados ou "hot rods"

Em 1902, Ford aventurou-se pelos caminhos das corridas, e construiu um bólido chamado Ford 999 (em homenagem a uma famosa locomotiva de Nova York); com a direção do piloto Barney Oldfield (foto abaixo), o automóvel bateu o recorde da milha terrestre naquela época, no congelado lago Saint Claire, perto de Detroit - distância de 1,6 km em 39,4 segundos a 148 km/h;esta réplica tem escala de 1:18

Poucos meses antes de fundar a Ford Motor Company, Henry Ford, depois de quebrar o recorde com o Ford 999 1902, criou este modelo, também chamado 999 1903 Rekord, com motor de 75 cv, uma versão melhorada do modelo anterior (esta mini é em escala 1:30, em resina e madeira)

Mais um modelo de competição - este ficou famoso na década de 20. O Fronty Ford, que correu no circuito de Indianápolis (em Indiana, EUA) no começo dos anos 20, possuía chassi do Ford Modelo T com motor de 16 válvulas produzido pela Frontenac Motors Corporation dos irmãos Chevrolet. Naquela época, as velocidades alcançadas por esses modelos já beiravam os 160 km/h. Em 1920 e 1921, Gaston Chevrolet venceu a famosa corrida das "500 Milhas de Indianápolis". Em 1923, L.L.Corum chegou em quinto lugar na prova com seu Fronty Ford. Em maio de 1924, o próprio Henry Ford foi juiz na corrida. Pode-se afirmar que os Fronty Fords representaram uma importante parte da história das corridas de carros nos Estados Unidos (esta réplica - de 1921 - de resina e madeira é em escala 1:32)

Esta é a impressionante história do Ford Modelo T 1909 Ocean to Ocean Racer (aqui em escala 1:43, em resina, arame e papel), que venceu uma prova transcontinental nos Estados Unidos, naquele ano

Este Ford Modelo T, o número 2, percorreu 6.500 quilômetros de Nova York a Seattle, durante 22 dias, a uma velocidade média de 1,4km/h, enfrentando lama, chuva e neve. Chegou 17 horas antes do segundo colocado. O outro fordinho, o de número 1, terminou a corrida em quarto lugar, dentre os seis participantes

A corrida foi patrocinada por um milionário americano, Robert Guggenheim

Esta é uma réplica em tamanho original do Ford Modelo T 1909

Nesta foto (do arquivo de Henry Ford), os dois fordinhos na largada da corrida

O troféu entregue aos dois pilotos vencedores

A rota percorrida pelos dois fordinhos, em 1909

Às 12h55 do dia 22 de junho de 1909 uma multidão recepcionou os pilotos vencedores, em Seattle

Também estava lá, em Seattle, no momento da chegada do fordinho, ninguém menos que o próprio Henry Ford, que aproveitou o evento para provar ao mundo a impressionante resistência e versatilidade de sua mais recente criação - o Ford Modelo T

Em 1901, Ford, querendo chamar a atenção do público e dos investidores americanos, construiu seu primeiro automóvel de corrida, batizado de Ford Sweepstakes, que tinha motor de dois cilindros e 26 cavalos de potência. Com este modelo, ele venceu, em outubro de 1901, o famoso campeão de corridas da época, Alexander Winton, no circuito de Grosse Pointe. A partir dessa  espetacular vitória, Ford conseguiu investidores de peso para seus projetos, que culminaram com a criação da Ford Motor Company, em junho de 1903

Réplica em resina (escala 1:24) do Ford Sweepstakes 1901

 O Ford RS 200, famoso pelas participações em rallies europeus, nos anos 80 (esq., escala 1:43) e o Ford Shelby Daytona (este em escala 1:64), participante da famosa 24 horas de Daytona, na Flórida

 

Outro carro campeoníssimo - agora na categoria européia de WTC (World Tourism Championship), campeonato mundial de turismo - é o Ford Sierra RS 500; este, de 1987, vencedor em uma das provas, naquele ano, foi dirigido pelos pilotos Steve Sopper (Inglaterra) e Pierre Dieudonnè (Bélgica); réplica em escala 1:43

 

 Dois famosos participantes de corridas da National Association of Stock Cars Racing (Nascar): um Ford Thunderbird 1994 (escala 1:18) e um Ford Taurus 1998 (escala 1:24, em latão, em homenagem aos 50 anos da Nascar)

 

O mesmo T-Bird Nascar 1994 em escala 1:38

Mais carros da Ford em rallies europeus: Ford Focus 2003 (escala 1:64 - rally de Córsega) e Ford Escort RS Cosworth 1995 (mil milhas na Itália, escala 1:18)

 

Ford Focus RS WRC (World Rally Championship) 2006 - este em escala 1:32; com tração nas quatro rodas, foi o carro que levou o famosos piloto finlandês Marcus Gronholm (foto) ao terceiro lugar no rali de Monte Carlo, em Mônaco, em 2007

Outra pista visitada por um carro da Ford foi Indianápolis, onde, em setembro de 1969, o famoso piloto A.J.Foyt (tetracampeão de Indianápolis), a bordo deste Meskowski-Ford, venceu a corrida naquela data, numa arrancada final espetacular; esta réplica tem escala de 1:18

 

As corridas na Califórnia, nos anos 30, ficaram mais "envenenadas" com a participação dos carros fordistas com seus famosos motores V8 - à esq. um Ford Newstalgia 1934; ao lado dele, o Deuce, primeiro carro a receber a genial invenção de Henry Ford (réplicas em escala 1:18)

 

Um carro de corrida construído especialmente para Edsel Ford, o filho único de Ford: é o Ford Modelo 40 Special Speedster 1934 (este em resina, escala 1:18), que tinha um motor V8 com dois carburadores, 120 cavalos de potência e três marchas; a empresa construiu um único exemplar, recentemente vendido em leilão, em Michigan por quase dois milhões de dólares

 

 Ford GT 2005 - o supercarro do centenário da Ford, lançado em 2003 como sucessor do GT 40; tem motor V8 de 500 cavalos e velocidade máxima de 290 km/h

 A história do Cobra começa em 1961, quando o piloto texano Carroll Shelby quis instalar um potente motor norte-americano num leve chassis europeu. Escolheu o AC Ace para receber um motor Ford V8 de 260 polegadas cúbicas (4.2 litros). Nascia o Cobra, uma lenda das competições. Além do V8 de 260, havia também o 289 e o supremo 427 (7 litros, o limite para motores na época), com chassis reforçado com tubos de quatro polegadas (ao invés das três) para suportar a potência absurda. Esta réplica em escala 1:43 é do Ford Shelby Cobra SC 1966

 

O Ford Panoz Esperante GTR-1 foi um carro de corrida fabricado entre 1997 e 2003 pela Panoz Auto Desenvolvimento e Reynard Motosport  (da Califórnia) que utilizava motor V-8 6.0 litros para competições do campeonato FIA GT, 24 Horas de Le Mans e Nascar. Esta réplica de 1998 é em escala 1:64