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A Ford no Brasil

No dia 24 de abril de 2009, a Ford completou 90 anos no Brasil. A subsidiária, a segunda da América Latina e a primeira montadora a se instalar no País, surgiu em uma época bastante conturbada, assinalada pelo final da Primeira Guerra Mundial e a epidemia de gripe espanhola.

A decisão de se instalar aqui foi tomada pelo próprio Henry Ford. Para o pioneiro historiador do automóvel no País, Vergniaud Gonçalves, "foi o começo da conquista do território nacional pelo Fordeco de Bigode". Bigode era o apelido do robusto modelo "T" em função das pequenas alavancas (acelerador e avanço da ignição) em cada lado da coluna de direção.

Selo comemorativo aos 90 anos da Ford no Brasil

Logomarca criada por mim para a comemoração dos 90 anos da companhia no País

As instalações iniciais, na rua Florêncio de Abreu, centro da capital paulista, logo se tornaram pequenas para atender a demanda do mercado. A empresa começou a construir fábrica própria na rua Sólon, inaugurada em 1922. No final de 1925 comemorou o recorde de vendas anuais, 24.250 unidades, que iria perdurar até o final dos anos 60, quando passou a fabricar automóveis nacionais. O produto seguinte, o modelo A, continuou mantendo a hegemonia no mercado brasileiro.

A segunda década da marca no Brasil foi influenciada pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929 e que desaguou na recessão mundial do começo dos anos 30 do século passado.

No início de suas atividade no País, a Ford destacou-se com o Ford Modelo T e o caminhão TT (este em escala 1:43); à direita, um campo de teste para o caminhão TT, em São Paulo, 1919

 

Na década de 40, a eclosão da Segunda Guerra Mundial diminuiu ainda mais a produção. Passada a fase do racionamento de combustíveis e do gasogênio, veio a lenta recuperação. No final da década, a Ford iniciou a construção da fábrica do Ipiranga, ainda em São Paulo, inaugurada em abril de 1953. A empresa estava pronta para o advento da indústria automobilística brasileira, projeto iniciado pelo presidente Juscelino Kubitschek. O primeiro caminhão da nova era foi um Ford: o F-600 com motor V8 à gasolina, em 26 de agosto de 1957 e, dois meses depois, a picape F-100. No ano seguinte os motores seriam nacionalizados.

No final dos anos 20, o Ford Modelo A (este de 1931, em escala 1:18) era o carro mais vendido no Brasil

Ford e GM iniciaram, então, a corrida que durou uma década para a produção de automóveis de passageiros. Outra vez a Ford venceu ao apresentar o Galaxie em novembro de 1967, um ano à frente do Opala. Pouco antes, a marca do oval havia completado um grande passo ao adquirir o controle da Willys. Além de uma linha ampliada com os rústicos modelos Jeep, Rural e Pickup, recebeu os automóveis Aero Willys, Itamaraty, Gordini e Interlagos. Mais importante, herdou o projeto do Corcel (Renault 12), modificado e lançado em 1968, seguido pela station Belina dois anos depois. Em 1971, chegou a versão de topo do Galaxie, o Landau.

A partir da nacionalização da indústria automotiva nacional, nos anos 50, automóveis como a pickup F-100 (esta de 1956, em escala 1:18) tornaram-se muito comuns nas ruas

Réplica do primeiro caminhão produzido pela Ford no Brasil, em 26 de agosto de 1957 (esta miniatura é feita de resina, na escala 1:24; a carroceria deste modelo é um tanque de uma empresa de comubustível multinacional;com índice de 40% de nacionalização, o caminhão tinha um motor V8 de 4.5 l a gasolina,com 167 cv, e sua capacidade de carga era de 6,5 toneladas.  Este caminhão percorreu cerca de 1.500Km em sua primeira viagem, até Caruaru, PE,  sendo 1.100Km por estradas não pavimentadas,  provando assim,  sua alta resistência.

 

O lançamento do Maverick, em 1973, chegou um pouco tarde para combater o Opala e coincidiu com a primeira crise do petróleo. O motor 6 cilindros do Aero Willys era velho, o V8 gastava muito combustível e o 4 cilindros, inadequado. Só em 1977 a empresa voltou com uma novidade, o Corcel II, cujo motor a álcool, disponível dois anos depois, se tornou o primeiro a resolver os problemas técnicos do ambicioso Pro-álcool, programa iniciado em 1975. A Ford estava consolidada com o Centro de Pesquisas em São Bernardo (1969), a fábrica de motores de Taubaté (1974) e o grande Campo de Provas de Tatuí (1979), tudo num raio de 140 quilômetros da capital paulista. A picape F-1000 Diesel surgia em 1979 e um ano mais tarde, a picape Pampa derivada do Corcel.

Os carros nacionais mais famosos nos anos 60 a 90: Ford Corcel, Ford Landau, Ford Maverick, Ford Pampa, Ford Versailles, Ford Verona, Ford Fiesta, dentre outros

A década de 80 começou com o Del Rey, igualmente evolução do Corcel, em 1981. No ano seguinte, a marca perderia a corrida ao carro mundial. A GM lançava o Monza, um ano antes do Escort que, ao menos, teve a primazia de uma versão conversível em 1985. No mesmo ano, chegava o Cargo, um caminhão de origem européia mais evoluído que os veteranos da Série F, ambos em produção até os dias de hoje, graças a seguidos aperfeiçoamentos. As operações brasileiras já vinham deficitárias desde o final dos anos 70.

O Maverick havia parado em 1979, mas o Galaxie resistiu até 1983. Em 1986, o Plano Cruzado pegou a Ford desprevenida com preços defasados e compulsoriamente congelados. No final daquele ano se anunciou a criação da Autolatina, uma joint-venture com 49% do capital controlado pela fábrica americana e 51% pela Volkswagen. Foi um mau casamento, que não resistiu à crise dos sete anos: papéis passados em 1987, divórcio anunciado em 1994 e separação de corpos em 1995.

Alguns modelos da década de 70 (esq., em resina) - Ford Rural, Ford Aerowillys, Ford Corcel, Ford Maverick, Ford Corcel Belina; e dos anos 80 e 90 (dir.) - Ford Del Rey, Ford Corcel II, Ford Royale, Ford Pampa, Ford Verona e Ford Corcel Belina II (todos em resina)

 

Naquele período a Ford só apresentou o Verona (1990), versão sedã do Escort, cuja nova geração seria lançada em 1992. Além dos clones de modelos da fábrica alemã. A empresa sairia da joint-venture com 10 pontos percentuais a menos de participação de mercado, tendo de enfrentar a abertura indiscriminada às importações desde 1990, iniciativa do presidente Fernando Collor. E sem um modelo compacto competitivo para aproveitar a onda do carro popular inspirada pela volta do Fusca, programa originado em 1993 por decreto do presidente Itamar Franco.

O campeão de vendas da Ford em todos os tempos, no Brasil: o Corcel, aqui em resina, em duas versões: o Coupe (1970) e o GT (1975)

 

Em 1996, apenas um ano depois do total desligamento da Volkswagen, chegava o Fiesta nacionalizado, junto com a versão leve do Cargo. Em 1997, a companhia continuou avançando ao comercializar a perua Escort, o subcompacto Ka e a picape leve Courier, estes dois derivados do Fiesta. Em 2000, modernizou a linha de motores leves, Zetec Rocam, hoje exportada para vários países. Pouco antes havia tomado a decisão de produzir o novo Fiesta, a partir de 2002, em uma fábrica que utilizaria métodos avançados e totalmente integrada com os fornecedores, dentro do conceito ampliado de condomínio industrial.

Grandes sucessos nos anos 90: Ford Fiesta nacional (este em resina) e o Ford KA (no Brasil, apenas o Coupe foi produzido)

 

O certo é que neste Século XXI, a Ford continua inovando na produção de modelos que atendam de forma eficaz o mercado brasileiro, como os novos Ford Fiesta, Ecosport e Ka.

As novas tendências do Século XXI: as novas versões para o Ford Fiesta, Ecosport e KA