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Carretera Panamericana
Três brasileiros, dois fordinhos e um sonho: levar ao governo americano a idéia da construção de uma rodovia que interligasse as três Américas. Foi com essa proposta que no dia 16 de abril de 1928 partiram da cidade do Rio de Janeiro a bordo de dois Ford Modelo T (um de 1918 e outro de 1925) rumo aos Estados Unidos o tenente do Exército brasileiro Leônidas Borges de Oliveira, o observador Francisco Lopes da Cruz e o mecânico Mário Fava. A façanha ficou conhecida como "Expedição Carretera Panamericana".
Durante 10 anos, os três desbravadores percorreram mais de 20 mil quilômetros em 15 países, até serem recebidos, em solo americano, em março de 1937, por ninguém menos que Henry Ford, que ofereceu a eles uma fortuna em dinheiro pelos dois automóveis, o que foi recusado. Também nos Estados Unidos, eles tiveram uma audiência com o então presidente americano Franklin Roosevelt, que ficou impressionado com o relato heróico do fato.
Na volta ao Brasil, foram recepcionados pelo presidente Getúlio Vargas, que recebeu uma cópia do projeto. E por indicação do Marechal Rondon, o comandante da expedição, o tenente Leônidas, foi nomeado cônsul do Brasil na Bolívia.
Por onde passavam, Leônidas, Francisco e Mário eram recebidos como verdadeiros heróis pelas populações locais, que ofereciam apoio logístico e financeiro. Os trechos mais difíceis do percurso foram os caminhos quase intransponíveis de alguns países da América do Sul atravessados pela Cordilheira dos Andes, como Equador, Bolívia e Colômbia, onde quase morreram devido ao frio e aos abismos das estradas. Além disso, transpuseram selvas, rios caudalosos e pântanos.
Sobre a rodovia, o engenheiro Beto Braga afirma que, "na realidade, o trecho da estrada que deveria ter sido construído no Brasil, ficou no papel e até hoje, depois de quase oitenta anos, se fala na construção do corredor bi-oceânico, mas ainda não aconteceu. Nos outros países americanos a Rodovia é uma realidade e a principal espinha dorsal dos transportes e ligação das três Américas, sendo que o trabalho da Expedição foi de suma importância na concretização do sonho de união panamericana."
Símbolos de resistência e versatilidade, os dois Ford Modelo T utilizados pelos expedicionários - uma camionete 1918 e um Sedan 1925 - provaram a durabilidade do motor fordista e a confiabilidade nos modelos - simples e de fácil reparação. O T Sedan de 1925 ainda pode ser visto no Museu da Companhia Brasileira de Transporte Coletivo (CMTC), em São Paulo. Já a camionete pereceu diante da indiferença dos governantes brasileiros.
Em 16 de abril de 2008, em comemoração aos 80 anos do evento, partiu também do Rio de Janeiro uma nova expedição com oito brasileiros, a bordo de duas Ford F-250. O destino foi Dearborn, Michigan, onde, em outubro, foram festejados os 100 anos do Ford Modelo T.
Para mim, é um orgulho, uma honra possuir estes dois fantásticos automóveis em minha coleção. E saber que foram parte importante nesta façanha que merece milhões de aplausos.
As réplicas em resina (escala 1:18) dos dois bravos fordinhos da expedição: Ford Modelo T 1918 picape (esq.) e Ford Modelo T 1925 Sedan (o "Brasil")


Ford Modelo T 1925 Sedan, apelidado de "Brasil", um dos heróis da Carretera Panamericana (esta réplica feita em resina, escala 1:18); este fordinho encontra-se em exposição no Museu da Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) da cidade de São Paulo


Ford Modelo T 1918 Pickup (escala 1:18), símbolo de resistência durante a viagem pelas três Américas


Os três expedicionários brasileiros: tenente Leônidas Oliveira, o observador Francisco Lopes e o mecânico Mário Fava; embaixo, os dois bravos Fords Modelo T 1918 e 1925 (FOTOS: PORTAL MAXICAR E ARQUIVO DO ENGENHEIRO CIVIL PAULISTA JOSÉ ROBERTO BRAGA)

Em 1938, os três expedicionários tiveram uma audiência com o então presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que ficou impressionado com a façanha

O engenheiro paulista Roberto Braga (esquerda), responsável pelo estudo e divulgação do projeto "Carretera Panamericana"; ao lado, os expedicionários sendo recebidos em Detroit pelo próprio Henry Ford, que ofereceu uma fortuna pelos dois automóveis, oferta recusada pelos brasileiros

Ao passarem pelo Equador, Leônidas, Francisco e Mário enfrentaram caminhos quase intransponíveis; em outros países cortados pela Cordilheira dos Andes, os aventureiros quase perderam a vida, ao suportarem condições climáticas adversas

Na fronteira da Colômbia com o Panamá, a expedição atravessa o Rio Atrato; nessa travessia, segundo os documentos da viagem, os dois automóveis Ford foram desmontados, colocados em animais e montados novamente

O mapa da expedição: saída do Rio de Janeiro, em 1928, e chegada nos Estados Unidos, em 1938; a rota inclui 16 países nas três Américas




