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Motores da Ford
A partir da criação, em Detroit, de seu primeiro veículo em 1896, o Ford Quadriciclo, que tinha motor de dois cilindros e apenas quatro cavalos-vapor de potência (sustentado em cima de rodas de bicicleta), com velocidade máxima de 28 km/h, Henry Ford começou a desenvolver pesquisas que culminariam, ao longo do século XX, no advento e aperfeiçoamento dos famosos motores da companhia.
Naquela época, ele experimentou motores com as mais diversas e inusitadas configurações, tal como um X8 (oito cilindros em X), um I5 e um V10 de 308 c.i., dois eixos e quatro cilindros. Coisas fantásticas.
Alguns anos antes da fundação da companhia, Ford desenvolveu motores com as mais variadas configurações

Como este motor V 10

Ou este motor V 12

Além do Quadriciclo, Henry aventurou-se nas corridas de carro, em 1902 e 1903 (ano de fundação da empresa), com o lendário Ford 999, que trazia, nas duas versões, motores de 26 e de 75 cavalos, respectivamente, com os quais estabeleceu recordes de velocidade da milha terrestre, na época.
E antes da invenção do Ford Modelo T, o "Carro do Século XX", em 1908, Ford criou oito modelos de carros, cujo resultado final seria justamente a fabricação em série do T. Em 1904, apresentou o Modelo B, primeiro carro da companhia a utilizar o layout para o motor frontal, que tinha 24 cavalos e quatro cilindros posicionados à frente com um radiador convencional atrás.
O quadriciclo, primeiro veículo construído por Ford, tinha motor traseiro de dois cilindros de quatro cavalos de potência (32 km/h) e radiador de água, e possuía duas velocidades para a frente.

O Ford Sweepstakes 1901, cujo motor ficava sob o banco de couro inteiriço, possuía 26 cavalos de potência, 8,8 litros e atingia a velocidade máxima de 115 km/h

Em 1902 e 1903, Ford aventurou-se pelas corridas de carros e construiu estes dois bólidos: o 999 - de 1903 (esquerda, com motor de 75 cv) e 1902 (motor de 72 cv e 18 mil cilindradas, com o qual estabeleceu o recorde da milha terrestre, na época)

Ford Modelo A 1903 (réplica em resina, escala 1:24) - primeiro carro produzido pela companhia, entre 1903 e 1905, tinha motor ajustado sob a bancada dianteira e era conduzido por uma corrente nas rodas traseiras; motor de dois cilindros opostos, suficientes para gerar oito cavalos de potência e uma velocidade máxima de 45 km/h.

Já o Modelo T, que vendeu 15 milhões de unidades em 19 anos de fabricação, tinha motor de quatro cilindros com válvulas laterais, 20 cavalos de potência e 55 km/h de velocidade máxima e 2,9 litros.
Depois do Modelo T, o Modelo A, mais aperfeiçoado e vendido entre 1927 e 1931, trazia melhorias significativas em relação ao anterior, como motor de quatro cilindros de 40 cavalos-vapor, velocidade máxima de 100 km/h e 8,5 km/l de consumo de combustível.
O Ford Modelo B, de 1904, foi o primeiro carro americano a possuir leiaute frontal para o motor, que tinha 24 cv

O motor do Ford Modelo T, o carro do Século XX, que vendeu 15 milhões de unidades - longitudinal, quatro cilindros em linha; comando no bloco, duas válvulas por cilindro, diâmetro e curso: 95 x 101,5 mm; cilindrada: 2896 cm cúbicos, taxa de compressão: potência máxima: 20,2 cv a 1600 rpm; torque máximo: 11,4 m.kgf a 900 rpm; carburador de corpo simples (a réplica abaixo, em escala 1:18, é de um Modelo T 1913)


Experimentos com o motor do Ford T já no final da produção, nos anos 20: o T-Bucket 1925 (esq., escala 1:18), ao lado da versão sedan de 1913 (escala 1:18)


Mas a grande inovação, sem dúvida, aconteceu no dia 9 de março de 1932, com a apresentação ao mundo do revolucionário motor V8, que custava, naquela época, apenas 10 dólares. Os franceses já faziam experiências com este tipo de motor, em 1906, desenvolvendo um bloco de oito cilindros (montados em esquemas multiblocos, ou seja, eram unidos dois blocos de quatro cilindros para se chegar a um V8).
No Modelo A, que vendeu 4,5 milhões de unidades entre 1927 e 1931, Ford colocou melhorias, como motor de quatro cilindros com 40 cv, velocidade máxima de 100 km/h e consumo de 8,5 km/l (estas réplicas são do Modelo A Sedan de 1931 e do Modelo A Delivery 1931, ambos em escala 1:18)


Mas a Ford conseguira, pela primeira vez na história do automobilismo de grande série, fundir o bloco de oito cilindros em V numa peça única. Esse motor tinha somente três suportes de virabrequim e a sua fabricação alcançou tamanho nível de simplicidade e economia que, em pouco anos, o Ford V8 se tornou o motor mais vendido do mundo. Mesmo com sua potência de 65 cv a 3.400 rpm, não ser uma das mais elevadas, na época, levava os carros a uma velocidade de quase de 120 Km/h.
Sucessivamente a Ford lançou duas outras versões, de 2.220 cm³ (denominado Model 60) e de 3620 cm³ (Model 85), sempre com oito cilindros em "V".

O famoso motor V8 estreou no Ford 1932 (este em escala 1:18) - 65 cv e velocidade máxima que podia alcançar os 120 km/h


A era dos carros "envenenados" ou hot rods começa a partir da implementação do motor V8 da Ford nos carros dos anos 30 (aqui três réplicas: Ford Cupê 32, Ford Newstalgia 34 e o famoso Deuce Cupê 32); as corridas com esses tipos de carros tornaram-se muito populares na Califórnia

O V8 da Ford tornou-se o motor mais usado no mundo. O chassi do novo veículo derivava do modelo A e as linhas de ambos eram parecidas. Em 1932, a Ford produziu os modelos 18 V8 e o B, que usava o mesmo chassi, porém com motor quatro cilindros. Ambos eram vendidos com 14 tipos de carroceria e a linha recebeu o nome de Deuce

Os amantes de carros potentes logo descobriram que o motor original de 65cv, que atingia 120km/h, podia chegar aos 210km/h. Por esse motivo, o carro passou a fazer sucesso nas pistas e com ele muitos pilotos venceram vários tipos de provas. O desempenho do Ford V8 foi elogiado até pela dupla criminosa Bonnie e Clyde, que registrou em carta: "Com velocidade constante e ausência de problemas, a Ford superou todos os outros carros"; o cupê feito em 1932, que ficou conhecido como Little Deuce Coupe, tinha além do motor V8 câmbio de três marchas. O modelo foi imortalizado em vários filmes e em músicas, como no álbum Little Deuce Coupe, dos Beach Boys, de 1963, no qual a temática era basicamente os carros hot rod


O famoso Ford V8 1934 Sedan usado pela não menos famosa dupla de assaltantes Bonnie e Clyde, mortos em 1934. O motor V8 foi bastante elogiado por Clyde que, alguns meses antes de ser morto, escreveu uma carta de próprio punho a Henry Ford, na qual considerava o Ford V8 "perfeito para fugas porque deixava pra trás os outros carros" (esta réplica do carro, em escala 1:18, é de resina e está no cenário de morte do casal)



Vantagens do V8
O motor Ford V8 foi também construído na Inglaterra, Alemanha e na França. Nesta última contou com a colaboração de Emile Mathis. Após a Segunda Guerra, a Ford assumiu diretamente o controle da produção na França, e seu primeiro carro foi o Vedette, equipado com o Model 60 (2.220 cm³) usado na década de 30 nos Matford.
Em 1952 ao Vedette somou-se um cupê bem aerodinâmico, denominado de Comete, usando o mesmo V8 só que com cilindrada aumentada para 2300 cm³ e 86 cv.
Em 1954 foi oferecida a opção de um novo V8, com 3900 cm³ mas na mesma e antiquada concepção de seus antecessores (usando válvulas de admissão e descarga no bloco), ao mesmo tempo em que a Ford era comprada pela Simca - na França. Anos depois o velho Vedette vinha ao Brasil com a Marca Simca, enquanto na França era equipado com uma nova versão do V8, agora com válvulas no cabeçote e 112 cv.
O Ford Comete (esta réplica em escala 1:43) foi produzido pela subsidiária da Ford entre 1951 e 1954 na França, e tinha motor V8 que variava entre 2.2 litros a 3.9 litros com velocidade máxima de 105 km/h

Ford Vedette 1954 (réplica em escala 1:43) - produzido na França, tinha motor V8 de 3.9 litros e 100 cv


Mas isso só prolongou sua vida até 1961, quando saiu definitivamente de linha, passando a ser fabricado apenas aqui no Brasil, e equipando os modelos Chambord, Tufão, Esplanada e outros da marca Simca.
O esquema em "V" se difundiu quando projetistas e construtores se convenceram de duas vantagens evidentes na comparação com o motor de cilindros em linha. Essas vantagens dizem respeito ao peso e comprimento do motor, e com razão: montando os cilindros em duas fileiras (em lugar de uma única), o comprimento total do motor é reduzido quase à metade.
Isso traz como conseqüência uma redução do peso do motor, além de que o virabrequim é mais curto e portanto, nas mesmas rotações, acaba sendo mais resistente e sofre menos vibrações! Mas o V8 não é um motor de funcionamento suave? É, e isso se deve à inegável vantagem do melhor balanceamento dinâmico que se consegue do motor, pois a configuração em V corresponde, na prática, a dois motores postos lado a lado, o que permite compensar os esforços provocados pelo movimento alternado dos pistões.
Daí o funcionamento silencioso, de baixas vibrações e "liso". O ronco gostoso do V8 vem justamente daí. Por isso, muitos insistem em dizer que o "V8" é o motor perfeito. Não chega a tanto, mas que é muito bom, isso ninguém pode negar.
Em 1963 era lançada uma das mais bem sucedidas famílias de V8 da história, a Small Block da FORD. Com um design moderno e compacto, resultou num dos menores blocos já fabricados pela Ford. Logo tinham "baixo" peso, se compararmos com os V8 da época. Isto contribuiu em muito para a sua produção em larga escala. Lógico então, fizeram e fazem a alegrias dos preparadores de motor (V8 é claro). Sorte nossa então, que podemos vê-los desfilando em nossas ruas e roncando alto nas pistas de corrida. O primeiro motor da família Small Block foi o 221, que prestou serviço às belas e requintadas curvas do Ford Fairlaine.
O "small block" - baixo peso e bloco menor para os motores Ford

O Ford Fairlane (esta réplica em escala 1:18 é de 1957) foi um dos carros que receberam o "small block"

O motor V8 "small block" do Fairlane: potência podia variar de 190 a 270 cv

Um pouco mais tarde, este bloco foi expandido para 260, 289, 302, 427.
De 1963 até 1968 foi o 289 que nos deu o ar de sua graça. Presenteava-nos com 271hp a 6000 rpm. O seu virabrequim era de ferro fundido nodular, que é mais resistente que o ferro fundido comum, o cinzento. Suas bielas eram reforçadas com parafusos 3/8", tuchos mecânicos, etc...
Se você lembra dos Mustang GT 350, vai de agora em diante lembrar-se dos 289 e 289 Hi-Performance. Só mais um detalhe: o 289 Hi-Performance, dentro do GT 350 rendia 306hp, sendo que sua potência original de fábrica fica na casa dos 289hp a 6000 rpm.
Este foi um dos motores preferidos pela Ford para representá-la nas pistas de corrida. Quem andava com ele? Ora, uns tal de Cobra e o desconhecido do Mustang. Mas em 1968, o 289 teve o curso do virabrequim aumentado em 1/8" dando início então ao nosso famoso e inebriante 302! E como não poderia deixar de ser, de cara já saiu uma versão apimentada, o Tunnel Port 302. Seus cabeçotes eram uma obra de arte, respiravam mais do que atleta de maratona. A taxa de compressão era de 12,5:1, a gasolina!
Ford Mustang - um dos maiores ícones da Ford e da indústria automotiva mundial também foi equipado com o poderoso V8; possuo alguns dos principais modelos na coleção, mas destaco os motores dos modelos KR, Boss 302, Boss 429 1970, Hard Top 1964, GT 2006, Bullit 2001 e Shelby GT 500 E 1967

Mustang Hard Top 1964 (escala 1:18) - primeiro modelo construído pela companhia, tinha motor V8 4.8 litros com seus "modestos" 271 cv

Depois veio o Boss 302, e o que já era bom ficou ainda melhor! Imagine se ele não foi direto para as pistas. Em termos genealógicos, o BOSS 302 era uma evolução do 289 Hi-Performance. Suas principais virtudes estavam nos 4 parafusos de fixação do mancal do virabrequim (que era de aço forjado), parafusos 7/16" usado nas bielas dos cabeçotes 4V! Cabeçotes que também equipavam o Cleveland 351 (da família de motores Cleveland).
O BOSS 302 só foi fabricado em 1969 e 70. Gerava 290hp a 5800 rpm, mas é claro que o pessoal adorava vê-lo com 400cv no mínimo. Nos dias de hoje, o 302 não se chama mais 302 e sim 5.0 HO (High Output). Este nome lhe foi dado em 1979 e ano a ano vem sendo aperfeiçoado para atender as normas anti-poluição.
Ford Mustang Boss 302 (esquerda) e Boss 429

Mustang Boss 302 1970 (escala 1:24) - motor V8 SOHC de 400 cv, 302 polegadas cúbidas; 7.013 unidades produzidas

Mustang Boss 429 1970 (escala 1:18) - motor V8 429 de alto giro e 375 cv; foram produzidas apenas 1.256 unidades

Ford Mustang Shelby GT 500 E "Eleanor" - famoso no filme "60 Segundos", este carro podia voar de 325 cv (com um V8 de 6,4 l) a 390 cv


Ford Mustang Bullit GT 2001 - inspirado no modelo de 1968, do filme "Bullit", com Steve McQueen, tem motor V8 SOHC de 4,6 litros e 265 cv


Ford Mustang GT 2006 - motor V8 de 4,6 litros, 24 válvulas e 300 cv (réplica em escala 1:24)


Ford Mustang Shelby Cobra R SVT 2000 (escala 1:18) - motor V8 5.0 SOHC - 235CV (cambio manual de 5 marchas), velocidade maxima: 235 km/h; - podia ir de 0 a 100 km/h em 4,4 segundos


O mais veloz da manada: o Mustang Shelby GT 500 KR; aqui em duas versões - o 1967 (escala 1:24, à direita) e o 2008 (escala 1:24)

O Shelby GT 500 KR 1967 era equipado com o motor Cobra Jet, preparado com os cabeçotes de dutos grandes do 427 e coletor de admissão e sistema de escapamento maiores. A potência anunciada era de 340 cv, mas é possível que estivesse mais próxima de 400, já que o torque atingia espetaculares 60,9 mkgf a apenas 3.400 rpm

O coração do Mustang Shelby GT 500 KR 2008 - um poderoso motor V8 supercharger de 32 válvulas, 5.4 litros e incríveis 547 cv, velocidade máxima podia chegar perto dos 290 km/h

Para fechar a família Small Block, a FORD resolveu aumentar em mais meia polegada o curso do virabrequim do 302. Surgiu então o Windsor 351, que foi produzido de 1969 até 1996. A semelhança externa desta família é muito grande, apenas alguns detalhes externos podem ajudar a identificarmos com precisão quem é quem.
O grande desafio de Henry Ford
O bloco do motor foi o maior desafio de Henry Ford durante o desenvolvimento do projeto. Os motores de oito cilindros eram, até então, pesados e caros de fabricar. A opção mais óbvia para um desempenho melhor eram um seis cilindros, mas Henry não gostava dessa opção, já vendida pela concorrente Chevrolet. Ele fazia questão de que o bloco fosse uma peça única para facilitar a produção em massa. Só que não havia tecnologia para isso na época.
Também nas competições de rali o motor V8 da Ford equipou muitos carros campeões da categoria, como o Ford Escort RS Cosworth 1995 (esta réplica em escala 1:18); o motor foi montado em posição longitudinal, com tração nas quatro rodas; vendidas 7.145 unidades na europa entre 1992 e 1995; motor v8 cosworth YBT, 16 válvulas, 227 cv, 2,0 litros, 1993 cilindradas, com turbocompressor. O nome é uma fusão dos nomes de seus fundadores - Mike Costin e Keith Duckworth - que conferiram ao modelo uma tradição nas pistas de rali na europa

Na Fórmula 1, o V8 emprestou sua potência a vários carros, nos anos 80 e 90, dentre os quais o famoso MCLaren MP 4/8 FORD, de 1993; com este modelo, que tinha um motor de 3,5 litros Ford Cosworth V8, o inesquecível Ayrton Senna conseguiu sua última vitória na F1, no Grande Prêmio da Austrália, em novembro de 1993 (esta réplica na escala 1:43)

Outra participação dos motores V8 da Ford foi na National Association for Stock Car Auto Racing (Nascar). A Nascar, fundada em 1948, é a maior associação automobilística americana possuindo os campeonatos mais populares dos Estados Unidos. Controla três grandes divisões nacionais e dezenas de regionais, entre as principais está a Sprint Cup, a Nationwide Series e a Craftsman Truck Series. A sede da Nascar está na cidade de Daytona Beach, onde também está o principal circuito das competições da Stock Car americana, o Daytona International Speedway. A Winston Cup era uma das primeiras denominações da Sprint Cup. O Ford Thunderbird (réplica em escala 1:18) que participou desta categoria em 1994 recebeu um potente motor V8 de 750 cv, que era também oferecido aos demais competidores


Ford e um grupo de engenheiros reuniram-se no Fort Myers, antigo laboratório de Thomas Edison, para desenvolver o bloco em sigilo.
Em 9 de março de 1932 ficava pronto o primeiro exemplar do V8 da Ford, conhecido como Flathead (cabeçote plano), por ter válvulas laterais dentro do V formado pelas bancadas de cilindros. O comando ficava acima do virabrequim, como nos motores modernos com comando no bloco. També estavam no V os coletores de admissão, mas os gases de escapamento precisavam passar entre os cilindros para chegar ao respectivo coletor, o que transferia calor ao bloco e exigia refrigeração mais eficiente.
O logotipo dos motores V8 da Ford

O Ford 32, que vinha com câmbio de três marchas, foi imortalizado pelos hot rods na Califórnia, a partir da Segunda Guerra Mundial, e representaram os primórdios de uma febre de personalização e preparação de carros. Esse modelo teve uma importância maior: definiu o motor do típico carro americano, padronizado no pós-guerra como grande, macio e dotado de câmbio automático.
(Textos: José Luís Cantanhêde, Portal Maverick 73 e Best Cars)
Motor Zetec-Rocam
Melhor Torque, melhor Potência. Melhor sair da frente." Em 1999, quando as coisas não iam nada bem para a Ford, uma estratégia bem sucedida fez com que a empresa voltasse a respirar no mercado nacional. Trazendo o Fiesta como carro de entrada, na versão três portas e o atualizando com o modelo mundial, a Ford melhorou o seu número mensal de vendas.
A nova motorização é um capítulo que merece uma nota a parte.
Substituindo os antigos motores que equipavam o Fiesta e o Ka (os antiquados Endura 1.0 e 1.3 e o eficiente Zetec S 1.4 16v) pelo Zetec Rocam 1.0L e 1.6L, a Ford fez com que a sua linha de automóveis tivesse os motores mais modernos do País.
Isso gerou comentários positivos na imprensa especializada e trouxe a Ford de volta à cabeça dos consumidores.
O motor Zetec-Rocam equipa os modelos Fiesta e Ka (incluindo o modelo mais novo); estas réplicas têm escala 1:43 e 1:24


Os motores Zetec Rocam se caracterizam por sua durabilidade e performance. A grande vedete deste motor é o comando de válvulas, com acionamento suportado por rolamentos, reduzindo profundamente o atrito no mesmo. A curva de torque, tanto no 1.6L quanto no 1.0L é muito boa, quase 100% plana. Atingindo seu pico em rotações muito baixas, o que proporciona um grande prazer ao dirigir. Os motores são produzidos na planta de Taubaté e são exportados para vários países.
Confira aqui as principais características:
Torque (força): superior aos veículos da concorrência já em baixa rotação. Domina nas ultrapassagens, retomadas de velocidade e subidas, com partidas muito mais rápidas.
Dirigibilidade: os veículos e pick-ups da Ford sempre foram reconhecidos pelo excelente prazer em dirigir que proporciona. Agora, com os novos motores Zetec RoCam, sua dirigibilidade ficou ainda mais acentuada.
Economia de combustível: os novos motores Zetec RoCam 1.0L e 1.6L têm o menor consumo de combustível em sua categoria. O resultado: benefício para o seu dia-a-dia.
Baixo custo de manutenção: com a utilização de um óleo mineral de baixo atrito, a troca de óleo fica mais espaçada, a cada 20.000Km* rodados. As velas devem ser substituídas somente a cada 40.000Km.
Baixo nível de ruído: o novo motor, com toda esta potência, manteve a mesma característica e continua a oferecer muito prazer e conforto para quem o dirige.
Zetec Rocam 1.0L 8 válvulas:
Combustível - gasolina
Potência líquida máxima - 65 cv @ 5.750 rpm
Torque líquido máximo - 8,9 mkgf @ 2.750 rpm
Sistema de alimentação - Injeção eletrônica multiponto seqüencial, com módulo de gerenciamento eletrônico do motor.
Zetec Rocam 1.6L 8 válvulas:
Combustível - Gasolina
Potência líquida máxima - 95 cv @ 5.500 rpm
Torque líquido máximo - 14,0 mkgf @ 2.250 rpm
Sistema de alimentação - Injeção eletrônica multiponto seqüencial, com módulo de gerenciamento eletrônico do motor EEC-V
Motor V8 427
Foi nos motores FE (abreviatura de Edsel Ford) que a Ford mais desenvolveu suas teorias sobre desenho de cabeçotes e sua influência no rendimento do motor. Houve versões bem interessantes dos 427, como os Tunnel Port, para muitos o melhor desenho de cabeçotes, com câmaras de combustão em cunha e válvulas alinhadas.
Havia uma versão destinada à Nascar e a outras provas de circuito. Tinha dois comandos de válvulas, um em cada cabeçote, e alavancas roletadas, como nos atuais motores com tecnologia Rocam.
O lendário motor Ford 427 SOHC (um dos tipos desta categoria) foi cunhado em Daytona pela Chrysler Hemi, em 1964. Para competir nessa corrida, a Ford desenvolveu uma versão de comando de válvula de alta performance, derivado do bloco FE . O motor, que equipou o eterno rei das pistas de Le Mans, nos anos 60 - o Ford GT 40 -, era conhecido como o Cammer.
Réplica em escala 1:12 do motor V8 SOHC da Ford



A adição de uma câmara hemisférica e de comandos de válvulas transformou o 427 numa poderosa usina de força. Muitos motores Cammers foram utilizados em Mustangs, em corridas de "arrancada" experimentais.
As especificações do 427 SOHC eram: 427 polegadas cúbicas; válvulas em 90 graus V8; 657 a 750 cavalos de potência e torque de 575 libras; válvulas de aço; câmaras de combustão hemisféricas.
O V8 427 eram divididos em cinco tipos: low riser (baixo ascendente, introduzido entre 1963 e 1964), medium riser (médio ascendente - entre 1965 e 1967), high riser (alto ascendente, produzido em 1964), tunnel port (disponível em 1967) e SOHC.
O V8 SOHC 427 emprestou sua potência a carros como Ford Mustang, Shelby 427 S/C e Ford GT 40


Um pouco de história
Em 1961, a Ford havia desenvolvido novos motores e ainda não tinha onde usá-los. Shelby então equipou os carros com os Fords de 260 e 289 polegadas cúbicas (4,2 e 4,7 litros, na ordem). Nascia assim o Cobra. O resultado foi excelente: o carro se tornou o mais rápido da época e, em 1965, a equipe de Shelby venceu o Mundial de GT da FIA, sendo a única empresa americana a conseguir tal feito durante décadas.
Não satisfeito, Shelby resolveu aumentar ainda mais a potência do carro e espremeu um imenso Ford V8 de 427 pol3 (7,0 litros) no Cobra. O carro gerava 425 cv a 6.000 rpm e ficou logo conhecido por sua potência. Em 1967, dirigido pelo jornalista britânico John Bolster, registrou velocidade máxima de 265 km/h e aceleração de 0 a 96 km/h em apenas 4,2 segundos. Um fenômeno. Eis uma lenda do asfalto nos anos 60: o Ford Mustang Shelby SC 427 1965 (réplica em escala 1:24): motor 7 litros (427 polegadas cúbicas), 485 cavalos a 6 500rpm, 66kgf.m de torque a 3 500rpm. 0 a 100 em 4,3 segundos. Velocidade máxima de 265km/h. Nada mau para a época, hein? O motor V8 do Ford GT 40, o famoso rei das pistas de Lê Mans, tetracampeão do circuito, tinha em 1965 4,7 litros, 390 cv e 320 km/h de velocidade máxima; em 1968 o V8 teve 425 cv 





