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Linha de montagem do T

Desde a inauguração da fábrica de Highland Park, Ford vinha sondando formas de usar aquelas instalações para, enfim, produzir o Modelo T em massa.  

Ford e seu assistente dinamarquês Charles Sorensen já haviam feito testes para conferir a melhor maneira de alcançar essa meta. Num deles, bancadas eram usadas como suportes móveis para empurrar os carros a diferentes pontos da fábrica onde as peças eram colocadas. Mais tarde, outra tentativa fazia com que os operários da Ford movessem as peças pela linha de produção sobre esteiras inclinadas, o que não evitava que a maior parte da montagem continuasse a ser feita à mão. 

Em abril de 1913, um engenheiro de produção, do setor que montava o magneto do motor, dividiu o processo em 29 etapas. Cada funcionário instalaria apenas um componente antes de empurrar a peça para o colega seguinte. Uma peça que antes levava 20 minutos para ficar pronta tomava agora 13 minutos. Outras alterações no processo de montagem reduziram esse tempo para cinco minutos. Era hora de estender tal método à fabricação do motor e outras partes do veículo. 

Maquete da linha de produção do Ford Modelo T (40 cm X 15 cm), feita em madeira, resina, metal e papel pelo designer Fernando Campomori. A peça, que reproduz sete etapas da produção, é uma das mais importantes da minha coleção.

Uma linha de montagem simples teve sua instalação encerrada em Highland Park no dia 7 de outubro de 1913. O chassi era puxado lentamente pelo chão da fábrica por meio de uma corda e um sarilho. As peças e 140 operários ficavam em seus postos estipulados, em intervalos distintos, ao longo de um trajeto de 45 metros. Conforme o carro era arrastado, os componentes eram instalados. Ao final da montagem do primeiro Modelo T nesse método, veio a surpresa: das antigas 12 horas e meia, o processo levou cinco horas e 50 minutos. Nascia a linha de montagem para automóveis. 

Logo em seguida, a corda foi trocada por um sistema de transporte sem fim. Movido a energia elétrica, o sistema ficava ao nível do chão e acomodava o chassi de modo a deixar espaço para que os operários trabalhassem nele sem apertos. Alguns realizavam apenas uma tarefa, outros se encarregavam de várias. Se um funcionário colocava um parafuso, a montagem da porca ficava a cargo do seguinte, que não era encarregado de apertá-la. Os suportes de paralama eram os primeiros itens fixados ao chassi. O motor vinha só na décima etapa. 

Em outubro de 1913, em Highland Park (conhecida como Palácio de Vidro, por causa das centenas de janelas), começava a linha de produção do Modelo T; cerca de 140 operários, ao longo de 45 metros, montaram o T em cinco horas e cinquenta minutos, tempo que foi reduzido bastante a partir de 1914

A eficiência na montagem tornou-se uma meta recorrente para Henry Ford. "Poupe 10 passos por dia de cada um dos 12 mil empregados e você economizará 80 quilômetros de movimento inútil e energia mal despendida", pregava. Para tanto, com o tempo, a linha de montagem seria elevada até a cintura para reduzir a inclinação dos metalúrgicos.  

Foi só em 1914 que surgiu a decisão tornada famosa por outra declaração atribuída ao empresário americano: "O cliente pode escolher a cor que desejar, desde que seja preta".  

No detalhe, as janelas de Highland Park; em primeiro plano, a figura de Henry Ford que, por inúmeras vezes, visitou a fábrica de Michigan. A partir de 1914, a montagem do Modelo T ficou dividida em 29 etapas

Uma opção pela discrição e o conservadorismo da cor? Que nada! Henry Ford preferiu limitar o catálogo ao preto por ser esta a tinta de secagem mais rápida da época, o que aceleraria a produção. Ao anunciar em 5 de janeiro de 1914 o salário de cinco dólares diários a seus operários - mais que o dobro de antes -, Ford causou outra revolução, desta vez no mercado de trabalho. 

Revisões constantes do processo produtivo fizeram o tempo de montagem cair para 93 minutos. Se as vendas ultrapassassem 300 mil carros, cada comprador receberiam um reembolso. Foram 308.162 exemplares, mais que todos os outros fabricantes americanos juntos. Promessa cumprida: cada cliente recebeu 50 dólares de volta. 

Viva a revolução fordista!

Curiosidades sobre a linha de montagem do Ford T

1913 Com a linha de montagem, o tempo caiu de 12h30 para 5h50. Em 1914, foi a 1h33.

1908 O básico Runabout custava 850 dólares. Em 1925, caiu a 260.

1920 A Ford produzia uma unidade do Modelo T por minuto.

1921 57% da produção mundial (ou 61,4% dos EUA) era de Ford T.

1925 Foram vendidos 24 250 deles no Brasil, 60% do mercado nacional - recorde de vendas até 1969, quando o Corcel passou.

1972 Nesse ano, seu recorde mundial de produção (15 484 781 carros) é superado pelo Fusca.

2003 Seis T 1914 foram feitos a mão para o 100º ano da Ford.

Em janeiro de 1914, para cada operário de Highland Park, Ford pagava um salário diário de cinco dólares, o que causou uma revolução no mercado de trabalho americano

O sistema de montagem ficava ao nível do chão, no qual cada operário fazia, quase sempre, apenas uma função; os suportes do paralama eram os primeiros itens a serem fixados no chassi; a colocação do motor só vinha na décima etapa

Foto original da linha de montagem do Modelo T, que vendeu mais de 15 milhões de unidades em 19 anos de produção, em todo o mundo; no Brasil, foram comercializados cerca de 24 mil fordinhos T